Sunday, April 28, 2013

Cinco perguntas para Mani Neumeier


Manfred Neumeier - ou Mani Neumeier - nasceu no dia 31 de dezembro de 1940 na cidade de Munique, na Alemanha. Ele começou a se interessar por música e artes ainda na infância. Aos 17 anos de idade começou a tocar bateria e neste mesmo período interessou-se pelo Jazz. Em 1968, Mani formou a lendária banda de Krautrock Guru Guru, uma das mais interessantes bandas a misturar Jazz, rock e sons psicodélicos. O Guru Guru lançou 31 discos desde que a banda foi formada, há quase 45 anos!

Além de ser o baterista e frontman do Guru Guru, Mani também gravou quase uma centena de álbuns com outros artistas e bandas, como membro ou artista convidado. Estas bandas incluem Irene Schweizer, Cosmic Couriers, Harmonia, Moebius and Plank, AcidMothersGuruGuru, The Paul Kidney Experience entre muitas outras! Hoje em dia, Mani toca com o Guru Guru e também com seu projeto solo.

Entrei em contato com Mani pela primeira vez há alguns meses. Desde o primeiro emal ele tem sido muito gentil e quando o convidei para esta entrevista ele prontamente me respondeu, dizendo sim! Na minha opinião este homem não só é um dos maiores bateristas do Krautrock como também um dos maiores bateristas que já viveram neste planeta! E é uma honra ter o Mani Neumeier aqui no meu blog. Espero que possamos vê-lo tocar ao vivo aqui no Brasil em breve!


ASTRONAUTA - Mani, como e quando você começou a se interessar por música e quais foram seus primeiros passos musicais? Quais eram suas influências durante sua infância e adolescência? E quando você começou a tocar bateria?

MANI - Eu sempre tive interesse em música e artes, desde que eu era criança. Entre os 8 e 16 anos eu fiz teatro, peças, etc. Eu comecei a tocar bateria com 17 anos de idade. Então um dis eu ouvi um diso do Louis Armestrong. Fiquei fascinado e percebi - esta é a minha música, Jazz. Passei por todos os estilos de Jazz, do Dixieland ao Swing, Bebop e finalmente me encontrei no Free Jazz. Isto foi em 1965. Juntamente com a pianista Irene Schweizer e com Uli Trepte. Depois eu formei o Guru Guru, em 1968. Nós tivemos sorte porque em Zurich, Suiça - onde morávamos - nós podiamos assistir todos os grandes mestres do Jazz ao vivo. De Louis Armstrong a Duke Ellington, Mingus, Dolphy, Art Blakey, Max Roach, Thelonious Monk, Miles Davis, Contrane, Ornette Coleman, todos eles. Estes eram meus "professores". Eu fui a todos os concertos e captei o máximo que pude. Eu queria ser como eles.

ASTRONAUTA - O Guru Guru é uma banda muito conhecida, não somente por causa da música grandiosa que vocês criaram, mas também pelo envolvimento político que a banda tinha. Como era estar politicamente envolvido na Alemanha durante os anos 60 e início dos 70?

MANI - No início tinha a música. E vivíamos em uma comunidade. Em Odenwald, perto de Heidelberg-Frankfurt. Todos os membros tinham que viver nesta casa e tocar somente com o Guru Guru, nenhum outro trabalho era aceito! Ás vezes trabalhávamos com o SDS (grupo de estudantes de esquerda) e realizeavamos concertos na universidade e também em prisões. Nós fazíamos um som que ninguém mais fazia. Forte, mágico, um power trio, um som espacial, acid rock, underground - depois chamado de "Krautrock". E depois de 45 anos nós continuamos em tour e tocando!

ASTRONAUTA - Você é um dos baterisras mais famosos do Krautrock - eu não sei se você gosta deste termo, "Krautrock" - mas, além de ser baterista e frontman do Guru Guru, você é creditado como tecladista em alguns dos meus álbuns favoritos do Guru Guru. Qual era o equipamento que você usava para tocar/gravar naquela época?

MANI - No início eu não gostava do termo "Krautrock". Mas hoje em dia eu não me preocupo, isto se tornou um termo para designar qualidade nos países estrangeiros.
Naturalmente eu sou baterista. Mas também cantor, percussionista e, às vezes, toco sintetizadores.

ASTRONAUTA - Em 1975 você tocou bateria no disco "Deluxe", do Harmonia. Como foi o processo de gravação deste disco? E quanto ao disco Zero Set, que você gravou em 1982 com Dieter Moebius e Conny Plank?

MANI - O disco Deluxe, do Harmonia, foi gravado por nós na grande casa de campo que pertencia ao Moebius, ao Roedelius e ao Michael Rother, juntamente com o Conny Plank. Foi gravado nas férias de verão. O disco "Zero Set" foi feito em trio por mim com o Moebius e o Conny no estúdio do Conne, nos arredores de Cologne. Este foi o disco eletro-acústico mais intenso e "groovy" que eu jea participei. Eu toquei ma maioria dos sequencers, as baterias e também alguns efeitos especiais neste LP. Muito divertido! "Zero Set" ainda é muito famoso entre os DJs japoneses!!

ASTRONAUTA - Você toca em vários projetos muito interessantes hoje em dia. Você pode nos contar um pouco mais sobre estes projetos? E sobre o Festival Finkenbach?

MANI -
Minha banda principal ainda é o Guru Guru. Nosso trigésimo primeiro disco será lançado em agosto de 2013. Eu acabei de voltar de uma tour no Japão, com o AcidMothersGuruGuru, um powetrio psicodélico com o guitarrista Makoto Kawabata e com Atusushi Tsuyama no baixo e vocais. Eu toco bateria e canto. Muito intenso, doido e lindo. Muito próximo do Guru Guru em 1971. E toquei com meus amigos australianos Rory Brown no baixo e Adam Sussman na guitarra, em uma tour na Australia em fevereiro de 2013.
Eu também toquei com o saxofonista Kris Wanders em um quinteto de Free Jazz, na Australia. E com o  Paul Kidney Experience, em Melbourne. E, naturalmente, meu show solo, juntamente com minha esposa Etsuko Watanabe como convidada, nos vocais e percussão.
Também realizo, juntamente com o Guru Guru e o clube de futebol de Finkenbach o lendário Finki-Festival, que está na sua 31ª edição. Um dos festivais mais bacanas na Alemanha, não tão grande, cerca de 1500 pessoas. Quase todas as bandas de krautrock ja estiveram la e também muitos outros artistas, entre eles africanos, de reggae e outras bandas estrangeiras.
Espero tocar no Brasil em breve,

Mani N.

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