Wednesday, October 01, 2014

Entrevista com Ramon Sender


Ramon Sender nasceu em Madrid, Espanha, no dia 29 de outubro de 1934. A mãe de Ramon, Amparo Barayón, nasceu em Zamora, cidade localizada próxima a Portugal, e trabalhava na companhia telefônica em Madrid quando conheceu Ramon J. Sender, o pai de Ramon, um jornalista e escritor espanhol bastante conhecido. Amparo, pianista clássica, também se apresentava ocasionalmente no clube El Ateneo. Ela e Ramon se conheceram durante uma greve da companhia telefônica, a qual Ramon havia sido enviado para cobrir como jornalista. Eles passaram a viver juntos e logo seu filho Ramon nasceu. Menos de dois anos depois, Amparo deu à luz Andrea, irmã de Ramon. Era o começo da Guerra Civil Espanhola e a família teve que se separar porque Ramon J. Sender estava sendo perseguido pela milícia de direita. Ele pediu à Amparo que fosse para Zamora, sua cidade natal e possivelmente um local mais seguro para permanecer com as duas crianças, mas Zamora também já estava tomada pelas mãos dos fascistas. Ramon J. Sender estava em Madrid no período e os planos eram para que Amparo e as crianças escapassem para a França, via Portugal, então Amparo tentou conseguir um visto de saída e um passaporte. Em vão. Em agosto de 1936, o irmão de Amparo, Antonio, foi preso e assassinado, então Amparo confrontou o governo militar exigindo explicações e acabou sendo presa também. Ela permaneceu na prisão de setembro até meados de outubro de 1936, quando foi "libertada" nas mãos de um esquadrão assassino e morta à noite, em um cemitério. Ramon Sender tinha dois anos de idade e sua irmã Andrea era um bebê recém-nascido quando sua mãe foi assassinada.

Assim que Ramon J. Sender teve noticias sobre a morte da sua esposa, deu um jeito de levar os pequenos Ramon e Andrea à França, onde eles viveram por algum tempo, até março de 1939, quando o pai levou as duas crianças para New York, Estados Unidos, de navio. Ramon Sender tinha quatro anos de idade e Andrea tinha dois. Nos Estados Unidos, Ramon J. Sender decidiu ir para o Mexico e as duas crianças ficaram aos cuidados de uma mulher norte-americana chamada Julia, que tornou-se a segunda mãe de Ramon e Andrea. Exceto por alguns poucos anos que Ramon, Julia, Andrea e o esposo de Julia viveram em Clarksburg, West Virginia, a família residiu basicamente no estado de New York, onde Ramon foi incentivado por Julia a aprender a tocar piano. Ramon também se interessou pelo acordeon, parcialmente por causa de um menino gordinho que ele conhecia na escola e que era bastante popular tocando o instrumento. Então Ramon pediu a Julia um acordeon e ganhou quando completou 10 anos de idade, como um presente combinado de aniversário e natal.

Um dos principais professores de piano de Ramon Sender durante sua juventude foi o famoso pianista George Copeland, com quem Ramon estudou até 1952. Neste período, Ramon também estudou harmonia com Elliot Carter por dois anos, antes de decidir (por sugestão de George) que iria para a Itália, estudar no Conservatorio di Santa Cecilia, em Roma. Depois de algum tempo na Itália, Ramon decidiu voltar aos Estados Unidos e cursou a Brandeis University, em Boston, MA, onde estudou com Irving Fine e Harold Shapero. Em 1954, aos 19 anos de idade, Ramon Sender casou-se com sua primeira esposa, Sibyl. Quando Sibyl soube que estava grávida o casal decidiu mudar-se para New York, onde Ramon teve vários empregos e trabalhou duro para manter-se com a esposa e a filha recém nascida. Mas as coisas não estavam indo de acordo com o que Ramon e Sibyl esperavam e eles se separaram (não pela primeira e nem pela última vez).

Em 1956, Ramon Sender ficou sabendo de um concerto de música eletrônica na Martha Graham Foundation, em New York. Compareceu e este foi seu primeiro contato com a composição "Gesang Der Jünglinge", de Karlheinz Stockhausen. O evento também contou com uma palestra de Louis e Bebe Barron (o casal havia recém finalizado a primeira trilha sonora totalmente eletrônica para um longa metragem, o filme "Forbidden Planet"). Ramon foi pego pela música eletrônica e pela tape music,  e o evento sinalizou o início de um novo horizonte musical para ele. No inverno de 1957, frequentou as aulas de composição ministradas por Henry Cowell na Columbia General Studies e, no ano seguinte, viajou rumo a San Francisco, California, pela primeira vez, dirigindo de Leste a Oeste através dos Estados Unidos. Uma das primeiras coisas que Ramon Sender fez quando chegou em San Francisco foi visitar a livraria City Lights, onde ele conheceu os poetas e escritores Lawrence Ferlinghetti e Michael McClure. Ele também fez amizade com o então diretor da rádio KPFA, Alan Rich, e com o compositor Loren Rush que, a pedido de Ramon, indicou Robert Erickson como sendo o melhor professor de composição na região de San Francisco.

Ramon Sender, Michael Callahan, Pauline Oliveros
e Morton Subotnick no SFTMC.
Em 1958, Ramon retornou à Costa Leste e juntou-se à Bruderhof, uma comunidade cristã localizada perto de New York. Sender permaneceu lá por quase um ano e meio, e então decidiu retornar à Costa Oeste. De volta a San Francisco, ele se matriculou em um curso completo de estudos musicais no San Francisco Conservatory, tendo aulas de harmonia com Sol Joseph e audição, improvisação e composição com Robert Erickson. Estudou no Conservatory de 1959 a 1962 e neste período, nas aulas de Erickson, ele conheceu a Pauline Oliveros e reencontrou o Loren Rush. No seu segundo ano no conservatório, ele interessou-se em adicionar fitas pré-gravadas às suas composições e passou a utilizar a sala de aula de Robert Erickson como seu estúdio de gravação. Durante o verão seguinte, ele decidiu construir um estúdio de música eletrônica no sótão do San Francisco Conservatory e, utilizando um martelo e uma talhadeira, fez uma sala para abrigar o estúdio. Em outubro de 1961, o estúdio de música eletrônica estava pronto, com equipamentos coletados, construídos e adquiridos por Ramon Sender. O concerto de inauguração do estúdio foi chamado de Sonics e, na sequência, uma série de seis Sonics aconteceu, entre dezembro de 1961 e junho de 1962, com peças de compositores como Pauline Oliveros, Morton Subotnick, Terry Riley, Bruno Maderna, Luciano Berio e James Tenney, entre tantos outros. Ramon Sender teve suas composições "Transversals" (1961), "Kronos" (1962), "Parade" (1962) e "Tropical Fish Opera" (1962) apresentadas pela primeira vez em alguns destes concertos. O último dos Sonics aconteceu no dia 11 de junho de 1962 e, logo em seguida, Ramon Sender e Morton Subotnick fundaram oficialmente o San Francisco Tape Music Center, juntando seus equipamentos e mudando-se para uma antiga casa vitoriana localizada na Jones Street, número 1537, em Russian Hill, San Francisco. Neste local eles permaneceram por alguns meses antes de mudarem-se novamente, desta vez para uma casa no número 321 da Divisadero Street (não antes de um incêndio acontecer no casarão antigo da Jones Street.) A última apresentação na Jones Street foi "City Scale", um happening escrito e dirigido por Ramon Sender, Anthony Martin e Ken Dewsey, para o qual uma grande parte da cidade de San Francisco foi utilizada como palco.

A maior parte dos concertos e gravações do San Francisco Tape Music Center aconteceu na Jones Street, 1537 e na Divisadero, 321, e a história sobre este período é muito bem contada em um livro originalmente publicado em 2008, "The San Francisco Tape Music Center - 1960s Counterculture And The Avant-Garde", escrito por David W. Bernstein. Ramon Sender também tem sua versão sobre os fatos do período, publicados em uma novela que mistura fatos reais com ficção, chamada "Naked Close-Up", publicada em 2012 pela Intelligent Arts. Algumas das composições de Ramon que datam deste período incluem "Triad" (1962), "Balances" (1964) e também sua peça mais conhecida, "Desert Ambulance" (1964). No final de 1964, Don Buchla projetou e entregou o protótipo do seu Electronic Music Box Series 100 - ou simplesmente 'Buchla Box' -, encomendado por Ramon Sender e Morton Subotnick para o San Francisco Tape Music Center. O SFTMC também foi palco da estréia de "In C", famosa composição de Terry Riley, em novembro de 1964. Os membros do SFTMC também foram responsáveis por várias mudanças e inovações nas artes multimídia, incluíndo dança, poesia, filmes e projeções de luz nas suas performances. O Centro também foi um dos primeiros pontos de intersecção entre as artes de vanguarda, a música eletrônica acadêmica e a cultura pop-rock-hippie-psicodélica que estava emergindo em San Francisco na época. Ramon Sender, Stewart Brand, Ken Kesey e Bill Graham formaram o time de produção responsável pelo famoso Trips Festival, que aconteceu entre 21 e 23 de janeiro de 1966, no Longshoremen's Hall. Um marco e um divisor de águas na história da cena artística e comportamental de San Francisco, o festival contou com bandas como The Grateful Dead, Big Brother and the Holding Company (antes da Janis Joplin juntar-se ao grupo) e The Loading Zone, juntamente com o poeta e escritor Allen Ginsberg, o aparato de som e luz de Don Buchla, as projeções visuais de Anthony Martin, a performance "America Needs Indians" de Strewart Brand e também os Merry Pranksters.

Depois do Trips Festival, Ramon Sender decidiu sair em retiro no deserto por algum tempo. Naquele ponto, o San Francisco Tape Music Center - posteriormente chamado de Center For Contemporary Music - estava prestes a mudar para o Mills College (uma das condições para que o SFTMC recebesse uma grande gratificação em dinheiro da Rockefeler Foundation era que o grupo se associasse à alguma instituição ou universidade). Morton Subotnick já havia aceito um convite para mudar-se para New York, então a nova configuração do Centro ficou sendo Pauline Oliveros como diretora geral, William Maginnis como diretor técnico e Anthony Martin como diretor visual. Ramon, que algum tempo antes havia conhecido o jornalista e ex-baixista dos Limeliters Lou Gottlieb, decidiu juntar-se a ele e fundar uma comunidade chamada Morning Star Ranch.

Durante sua vida e carreira posteriores ao San Francisco Tape Music Center, Ramon Sender viveu em algumas comunidades, a maior parte delas na região de San Francisco. Ramon tem várias histórias sobre antes, durante e depois do San Francisco Tape Music Center, e você pode encontrar algumas delas em uma longa entrevista que Ramon concedeu à Tessa Updike e à MaryClare Brzytwa em abril de 2014, como parte do San Francisco Conversatory's Oral History Project. Há 10 anos, nos dias 1 e 2 de outubro de 2004, Ramon Sender, Pauline Oliveros, Morton Subotnick, Tony Martin e Bill Maginnis reuniram-se para um evento no Rensselaer Polytechnic Institute, em Troy, NY, para celebrar o San Francisco Tape Music Center. O evento foi filmado e é parte do livro de David W. Bernstein sobre o SFTMC, que eu mencionei anteriormente.

Meu contato com Ramon Sender para esta entrevista foi feito via email. Ele gentilmente encontrou tempo para responder algumas questões sobre pontos específicos da sua vida e carreira como compositor e membro fundador do San Francisco Tape Music Center. É um prazer e uma honra contatar e entrevistar este grande compositor, este grande artista e esta figura humana tão gentil! Sou muito grato ao Ramon Sender! E agora, a entrevista! Viva Ramon Sender!


ASTRONAUTA - Ramon Sender, quais são as suas memórias musicais mais antigas? Como e quando você percebeu que a música era algo importante na sua vida? 

RAMON SENDER - Minhas memórias musicais mais antigas são da minha mãe, quando eu tinha por volta de um ano de idade. Ela era pianista clássica e estava tocando Albeniz. Havia também um garoto gordinho na sala de aula, na primeira série, que tocava acordeon. Eu queria ser como ele e tocar acordeon também. Comecei a ter aulas de piano, mas eu dizia para minha mãe americana que eu queria ter um acordeon. Quando eu tinha dez anos de idade ela me deu um, como presente de aniversário e natal juntos. Eu nunca tive aulas, mas prendi a tocar músicas que eu ouvia no rádio e também aprendi como utilizar os acordes corretamente, só praticando.

ASTRONAUTA - Como você passou a se interessar por música eletrônica e manipulações de fitas?

RAMON SENDER - Eu fui a um concerto do Composers Forum em New York City, em 1956, e ouvi "Gesange der Jünglinge", do Stockhausen. Imediatamente eu saí e aluguei um wire recorder (era o único tipo de gravador disponível na época).

ASTRONAUTA - Quais as suas lembranças da primeira vez que você encontrou com Pauline Oliveros? E com Morton Subotnick e William Maginnis? 

RAMON SENDER - Pauline ocasionalmente aparecia nas aulas de composição do Robert Erickson no Conservatório, em 1959, 1960, como ex-aluna dele na San Francisco State University. Como colegas de acordeon e sendo ambos admiradores de Erickson como professor e compositor, nos tornamos grandes amigos e permanecemos assim por todos estes anos. Uma visão fantástica desta época está no meu e-book de 'ficção histórica' "Naked Close-Up", disponível online.

Em 1961 eu construi um estúdio de música eletrônica primitivo, no sotão do Conservatório, e comecei uma série de concertos chamada de "Sonics". Nós incluímos improvisação ao vivo no concerto (Erickson era um grande entusiasta da improvisação e transmitia este entusiasmo para todos os seus alunos de composição). Depois do concerto, Subotnick veio até o palco e perguntou "Posso tocar também?" Então colaboramos em vários outros concertos que planejamos para a temporada de inverno. Em junho do ano seguinte, nos mudamos para nosso próprio local, fora do Conservatório.

Bill Maginnis descreve assim a maneira como nos conhecemos: "Eu fui até o Tape Center, atravessando a rua, porque eu precisava copiar uma fita, e me apresentei a Ramon. 'Você conhece alguma coisa de eletrônica?' ele perguntou. 'Bom, sim', eu respondi. Você saberia como construir um ring modulator?' 'Sim, eu acho que sim', eu respondi. Ramon pegou um punhado de chaves e começou a separar algumas. 'Aqui está a chave da porta da frente, aqui está a do estúdio', ele disse. 'Você é nosso novo técnico'.

Tony Matin, Bill Maginnis, Ramon Sender,
Morton Subotnick e Pauline Oliveros.
Nós pagávamos um pequeno salário a Bill, e também arrumamos uma bancada de trabalho para ele, em um canto. Ele era fantástico e mantinha tudo funcionando, além de ser um compositor talentoso também. Uma das suas peças eletrônicas está entre as minhas favoritas - "Life Time", que foi realizada batendo um oscilador de alta frequência contra a frequência do cabeçote de gravação. Os diferentes sons gerados foram então manipulados um pouco por ele. A peça causa uma sensação estranha, etérea, que eu gosto.

Posso colocar uma cópia dela nos meus arquivos compartilhados do dropbox, e você pode baixa-la:


Várias peças minhas estão disponíveis também na mesma pasta pública (áudio apenas):

The Tropical Fish Opera

Desert Ambulance (sem as projeções)

gayatri_final mix.aup

Xmas Me-Ushas.mp3

Audition sample.mp3

Worldfood XII sample.mp3

100 Favorite Classical Masterpieces-FINAL.mp3

ASTRONAUTA - Como surgiu a idéia de vocês utilizarem projeções durante os concertos de música eletrônica? E como você conheceu Elias Romero e Tony Martin? 

RAMON SENDER - Quando fizemos a peça "City Scale", em dezembro de 1962, um dos eventos era levar o público (em um grande caminhão) até a igreja abandonada que era utilizada pelo San Francisco Mime Troupe, em Mission Distict, para assistir a um light show de Elias Romero. Foi minha primeira experiência com projeções líquidas, e logo percebi que as projeções poderiam funcionar como um elemento visual nos nossos concertos. Você não faz idéia da importância do elemento visual em um concerto até que ele não está mais lá. Então fui até o meu amigo Tony, um pintor expressionista abstrato, e pedi para ele que juntasse ao nosso time e compusesse a parte gráfica para nossas peças. Ele estava relutante no começo, mas eu consegui com que ele desse o braço a torcer!

ASTRONAUTA - Quais suas lembranças do seu primeiro contato com Don Buchla? E como a chegada do 'Buchla Box', em 1964, mudou o processo de composição no San Fancisco Tape Music Center?

Bill Maginnis e Ramon Sender com o
'Buchla Box'.
RAMON SENDER - Nós estávamos desesperados para conseguirmos uma mesa de mixagem, alguns pré-amplificadores, etc. Mas também procurávamos por alguém que pudesse projetar o 'instrumento dos nossos sonhos'. Buchla veio em um dos nossos concertos - ou talvez ele tenha respondido um anúncio que colocamos no jornal.

Se o 'Buchla Box' mudou o processo de composição no nosso centro? Para Subotnick, quase imediatamente. Para Pauline mais gradualmente, principalmente quando o SFTMC foi transferido para o Mills College e ela assumiu a direção. Eu estava no meio do processo de sair da cidade quando o Buchla chegou mas então, no inverno de 1967-1968, eu precisava de um emprego e Don me permitiu soldar as placas de circuito e viver na sua oficina. Na oficina, nós tínhamos um estúdio completo com equipamentos Buchla e eu passei um período muito feliz por lá.

ASTRONAUTA - Ao que parece, San Francisco foi um dos primeiros lugares do mundo a romper as fronteiras entre a música eletrônica acadêmica e o pop-rock psicodélico e eletrificado, e o San Francisco Tape Music Center foi um dos grandes responsáveis para que isto ocorresse. E, na minha opinião, o Trips Festival foi algo como o ponto crucial, marcando o final de uma era e, ao mesmo tempo, o começo de outra era para o SFTMC como um grupo, para você como artista e também para a emergente cena rock da região, formada por bandas como The Grateful Dead e Big Brother and the Holding Company, que acabaram ficando muito famosas depois do festival. Minha pergunta é, como você vê o Trips Festival, agora que quase 50 anos se passaram desde aquele final de semana em janeiro de 1966? Quais foram as maiores dificuldades para a realização do festival, e quais as coisas mais gratificantes? Você faria algo diferente se tivesse a chance de organizar o Trips Festival novamente?

'Ramon Sender tocando o 'Buchla Box'
no Trips Festival, 1966
Foto: Susan Hillyard.
RAMON SENDER - Em 1965 eu estava começando a enjoar do formato dos nossos concertos no Centro. Eu queria fazer algo que eu chamava de "Sunday Morning Church", que incluiria todas as religiões antigas e misteriosas, como o Mitraísmo. Eu comentei sobre o assunto com meu amigo Tony, que me disse que havia um fotografo, Stewart Brand, fazendo um show miltimídia, com slides, chamado "America Needs Indians". Então eu fui falar com Stewart e nós trocamos algumas idéias durante um final de semana no Eselen Institute, em Big Sur. Poucos meses depois, ele me telefonou e disse que Ken Kesey estava na cidade, organizando o Acid Test com o Grateful Dead. Eu fui à sua apresentação no Fillmore e uma semana depois, talvez um pouco mais, o Stewart me chamou e disse que "Kesey queria organizar um final de semana inteiro de concertos, que ele chamaria de 'The Trips Festival'."Ele juntaria os grupos mais interessantes da região. Então nós entramos e passamos a trabalhar na idéia, mais ou menos como 'co-produtores'. Como as energias estavam ficando mais fortes, nós contratamos o Bill Graham, que havia justamente produzido um  evento bem sucedido, beneficiente para o Mime Troupe, e ele passou a ser o nosso "faz tudo". E ele fez um ótimo trabalho.

O que eu faria de diferente, se refizessemos o festival? Meu sonho era passar o som do Big Brother pelo ring modulator do Buchla, e então gradualmente mudar a modulação, sem que as pessoas soubessem exatamente o que estava acontecendo. Mas eu estava tão atarefado com os detalhes práticos e, apesar de estarmos com o Buchla em uma plataforma central, tudo o que fizemos foi toca-lo junto com várias bandas. 

ASTRONAUTA - E, uma última pergunta, quais são seus planos (e visões) para o futuro, como artista e como ser humano? 

RAMON SENDER - Meus planos futuros como artista/ser humano são, em primeiro lugar, continuar a entoar a oração Gayatri para o sol todas as manhãs. É a oração mais antiga que conhecemos, e em sânscrito é assim:

"Om, Bhur, Bhuvaha,
Svar, Tat Savitur Varenyam, Bhargo Deevasya
Dheemahee, Dyo Yo Naha Prachodayat,
Om Tat Sat."

Ou, caso você prefira em inglês, aqui está minha tradução pessoal: 

"Aum, oh earth, oh air, oh golden light,
Oh, that brilliance most adored!
We drink the splendor of that One who
inspires our heartbeats to quicken with love."

Em português:

"Aum, oh terra, oh ar, oh luz dourada,
Oh, brilho mais adorado!
Nós bebemos o esplendor daquele que
inspira nossos corações baterem acelerados, com amor."

E então eu digo "Que todos os serem fiquem em paz, com saúde e felizes para sempre," e peço por bençãos especiais para minha esposa, minhas crianças, netos, animais de estimação, etc.

É para concentrar-me nas descobertas do projeto descrito aqui:
http://www.raysender.com/obeata.html

E, mais recentemente, no livro que eu estou polindo ainda, mas que está descrito aqui:
www.raysender.com/touchingnirvana.html
Eu pretendo ter a versão final pronta no meu 80º aniversário.

Aqui tem um sumário de uma página:
http://www.raysender.com/universalpanacea
(veja também a cópia em anexo)

Aqui, uma entrevista:
https://www.youtube.com/watch?v=Qaju5XaGvII

E aqui três vídeos meus demonstrando vários exercícios:

Purring To Nirvana
https://www.youtube.com/watch?v=qpc6uyyz7bw

E um artigo complementar: 

Touching Nirvana

E aqui, uma antiga explicação técnica:

Te desejo tudo de bom!
Ramon

ASTRONAUTA - Muito obrigado pela oportunidade de entrevista-lo, Ramon!
Tudo de bom para você!
Astronauta Pinguim

Site oficial do Ramon Sender: www.raysender.com

Ramon Sender com Riqui, 2014. Foto: Tessa Updike
"A Death in Zamora", livro de Ramon Sender.
Morton Subotnick e Ramon Sender.
Ramon Sender, foto de Cathy Akers.

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